terça-feira, 16 de junho de 2009

Kassab já discute candidatura ao governo de São Paulo

CATIA SEABRA
da Folha de S.Paulo

Disposto a conter a candidatura do secretário de Desenvolvimento e desafeto, Geraldo Alckmin (PSDB), o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), já admite a possibilidade de concorrer ao governo de São Paulo no ano que vem.

A intenção é embaralhar o jogo, impedindo que Alckmin (contra quem disputou a prefeitura em 2008) figure como única opção do governador José Serra (PSDB) em 2010.

Nas conversas, Kassab não descarta concorrer se a candidatura do chefe da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), naufragar: "Meu candidato é o Aloysio Nunes Ferreira", insiste Kassab, negando sua candidatura.

O prefeito repete que apoiará o candidato de Serra ao governo: "Eu só poderia concorrer se o governador José Serra pedisse publicamente.

E sei que isso ele não pode fazer". Apesar de Kassab dizer que o lançamento de sua candidatura é uma maneira de prejudicá-lo, democratas alimentam os rumores de que ele não rechaça a hipótese.

Além de inibir Alckmin, essa é uma tentativa de dimensionar a acolhida a seu nome.

"Não vamos colocar nome algum. Nem tirar", diz o ex-presidente do DEM Jorge Bornhausen (SC).

Em conversas, Kassab manifesta preocupação acerca de seu futuro. Segundo seus aliados, Kassab só terá chance de concorrer daqui a oito anos, caso não dispute em 2010. Até lá, dizem, pode perder o fôlego.

Segundo tucanos, o próprio Serra já desencorajou Kassab. O governador alerta para o impacto negativo caso o prefeito deixe o cargo. Serra e Kassab acertaram que só conversarão sobre sucessão no ano que vem. Serra, porém, não deverá coibir qualquer movimentação.

Kassab admite as dificuldades. Os deputados federais de São Paulo (30% da bancada do PSDB na Câmara) ficariam contrariados.

A seu favor, ele tem a simpatia dos principais aliados de Serra, entre eles o presidente do PMDB, Orestes Quércia: "Apoio o candidato de Serra".

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Mônica Bergamo: Serra avisa PSB estar inconformado com possível candidatura de Ciro

da Folha Online

Hoje na Folha Louco para arrumar uma alternativa para Ciro Gomes (PSB-CE), já que pretende marchar com Dilma Rousseff (PT-RS) na campanha presidencial, o PSB recebeu um petardo do governador José Serra, de São Paulo, informa a coluna de Mônica Bergamo, publicada nesta quarta-feira na Folha

Segundo a coluna, com palavras ríspidas, o tucano avisou ao partido, que o apoia no Estado, que não se conforma com a possibilidade de Ciro ser lançado candidato ao governo de SP.

A coluna informa que, de acordo com um interlocutor de Ciro no PT paulista, ele só aguarda uma "conversa firme" com o presidente Lula para decidir se sai ou não candidato por São Paulo.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Suplicy oferece seu nome ao PT para disputar o governo de São Paulo em 2010

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) disse hoje que se colocou à disposição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para disputar o governo de São Paulo nas eleições de 2010. Em conversa com o presidente e ministros petistas, nesta semana, o senador deixou clara a sua intenção de concorrer ao governo --embora reconheça que a decisão final será do partido.

De acordo com o "Painel" da Folha, Suplicy fez chegar ao presidente, durante viagem, um bilhete manuscrito em um guardanapo com a informação de que está à disposição do partido para concorrer ao governo do Estado.

"Eu escrevi em um guardanapo que, se o PT quiser considerar uma pessoa que nas eleições de 2006 teve 8,6 milhões de votos, o que dá um em cada dois votos no Estado, eu estava à disposição", disse.

O senador afirmou que informou ministros petistas sobre sua vontade de concorrer ao governo de São Paulo --como Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência), Patrus Ananias (Desenvolvimento Social), Marco Aurélio Garcia, assessor da presidência da República, e a ex-prefeita Marta Suplicy.

O senador integrou comitiva que acompanhou Lula na posse de Mauricio Funes, em El Salvador.

"Foi no contexto em que estavam essas pessoas. Nessa ocasião, o presidente comentava que o PT em São Paulo deveria ter uma combinação de nomes para garantir os 30% que o PT têm de votos, mais outros 20%. Aí eu escrevi no guardanapo", disse.

Suplicy afirmou, porém, que quem define o nome do candidato é o PT --que tem entre os seus supostos pré-candidatos ao governo do Estado o deputado Antonio Palocci, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) e Marta, sua ex-mulher.

O PT espera o STF (Supremo Tribunal Federal) se pronunciar se aceita ou não denúncia criminal contra Palocci para decidir se vai investir na sua candidatura --cotada como a mais viável dentro do partido até este momento. Ex-ministro da Fazenda, Palocci será julgado pela suspeita de orquestrar a quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, no episódio que resultou no seu afastamento do governo federal.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Alckmin fortalece pré-candidatura no interior

JOSÉ ALBERTO BOMBIG
da Folha de S. Paulo

O secretário estadual de Desenvolvimento de São Paulo, Geraldo Alckmin, decidiu intensificar seu ritmo de visitas ao interior paulista como antídoto ao fortalecimento da pré-candidatura a governador de Aloysio Nunes Ferreira, seu colega da Casa Civil, na disputa interna do PSDB, caso José Serra concorra ao Palácio do Planalto no ano que vem.

Mesmo ocupando a liderança das pesquisas de intenção de voto e há quatro meses no comando da pasta, Alckmin está longe de quebrar a resistência dos grupos do governador Serra e do prefeito Gilberto Kassab (DEM) ao seu projeto de voltar a comandar o Estado.

Ex-governador de 2001 a 2006, o tucano optou por um recuo tático em relação à atitude adotada no ano passado, quando praticamente impôs ao partido sua candidatura a prefeito da capital contra a vontade dos serristas, que defendiam o apoio à reeleição de Kassab.

Alckmin agora trabalha para se manter em alta no interior, onde --conforme a mais recente pesquisa Datafolha-- está a maior fatia de seu eleitorado. Evita ainda melindrar o governador e Aloysio esquivando-se de dar declarações públicas sobre política partidária ou 2010. Ele sabe que não concorrerá sem a indicação de Serra.

Anteontem, Alckmin reuniu cerca de 300 pessoas em Sorocaba para falar de "prioridades do desenvolvimento regional". Na quinta, foi a Caraguatatuba, no litoral. Amanhã, estará no Vale do Ribeira para entregar uma escola técnica. No fim de semana passado, assistiu em Tambaú, noroeste do Estado, à missa da primeira fase de canonização do padre Donizetti.

Em seu melhor cenário, Alckmin tem 46% das intenções de voto, segundo pesquisa Datafolha divulgada em março; Aloysio chega a 3%. A estratégia de Aloysio privilegia a máquina partidária e siglas aliadas do PSDB-SP, com algumas viagens ao interior.

Ele estreitou sua relação com prefeitos, vereadores e deputados estaduais, pois sua pasta concentra a distribuição de verbas. Seus apoiadores também têm procurado tucanos com o discurso de que, seja quem for o candidato de Serra, "herdará automaticamente" os votos do eleitorado antipetista.

PMDB paulista

Orestes Quércia, ex-governador e principal nome do PMDB no Estado, vê em Aloysio uma possibilidade maior de ficar com uma das vagas ao Senado numa eventual chapa liderada por Serra. Ontem, no congresso estadual do PMDB, na capital, ele defendeu uma aliança com o PSDB em São Paulo.

"Gostaríamos que o Aloysio fosse o candidato. Ele tem uma ligação com o PMDB, foi vice-governador pelo PMDB e líder do meu governo na Assembleia. Mas isso não exclui a possibilidade de apoiarmos outro. É uma questão do PSDB", disse.

Quércia declarou seu apoio à candidatura de Serra à Presidência e disse que a proposta de aliança com o PT, defendida por congressistas do PMDB, poderá sair derrotada. "Os deputados e senadores são muito importantes, mas não são só eles que manobram o PMDB", disse. No evento, o presidente nacional do partido e da Câmara, Michel Temer, afirmou que "o que a convenção decidir, será o rumo que tomaremos".

domingo, 3 de maio de 2009

Com Ronaldo, Corinthians é campeão paulista invicto em 2009

Corinthians empata com 'olé' e ganha Paulista invicto após 71 anos

Bruno Thadeu, Carlos Padeiro e Rodrigo Farah
Em São Paulo

O Corinthians manda em São Paulo outra vez. Uma campanha extremamente regular do clube do Parque São Jorge auxiliada pela presença do atacante Ronaldo em grande fase foi coroada com a conquista do 26º título paulista neste domingo. Diante de um Pacaembu lotado, a equipe de Mano Menezes fez valer a vantagem obtida no primeiro jogo e segurou o empate por 1 a 1 com o Santos com gritos de 'olé' da torcida para vencer o Estadual de maneira invicta.

O caminho do Corinthians não foi traçado de maneira perfeita, mas o torcedor pode se orgulhar de ter visto poucos erros da equipe ao longo da competição. O time alvinegro encerrou o torneio com 13 vitórias, dez empates e 83% de aproveitamento na fase decisiva.

PRINCIPAIS LANCES
PRIMEIRO TEMPO
14min - Paulo Henrique faz bela assistência, Germano invade a área e cruza rasteiro. A zaga afasta. Na sequência é a vez de Triguinho invadir a área e cruzar rasteiro, mas Felipe evita o gol e Alessandro manda para longe
18min - Madson dribla, ganha na velocidade, invade a área e chuta rasteiro. A bola sai próxima à trave direita do gol de Felipe
27min - GOOOOLLLL DO SANTOS!!!! Kléber Pereira recebe de Roberto Brum na área e cai após choque com Felipe. O camisa 9 santista bate com categoria e abre o placar
31min - Quase o Santos faz o segundo. Após cruzamento e confusão na área, a bola sobra para Paulo Henrique chutar, quase da pequena área, e Felipe defender no reflexo
33min - GOOOOLLLL DO CORINTHIANS!!!! Dentinho faz a assistência, André Santos recebe na área e chuta forte, no canto de Fabio Costa
SEGUNDO TEMPO
10min - Cruzamento na área em cobrança de folta, Jorge Henrique sobe sozinho e cabeceia para o chão. Fabio Costa espalma para escanteio
11min - André Santos chuta e Fabio Costa espalma. Na sequência, Alessandro cruza, mas Ronaldo não alcança
12min - Ronaldo invade a área sozinho e tenta encobriu Fabio Costa, mas o goleiro do Santos defende
37min - Madson faz bela jogada pela direita e cruza rasteiro. Maikon Leite desvia e Felipe espalma
MANO: O TÍTULO NA ELITE
JORGE HENRIQUE E A REAÇÃO
"Conquistamos um título invicto em um campeonato tão difícil como o Paulista. Ser campeão era um sonho no começo e, da forma como construímos, deixa o treinador muito feliz. O torcedor também merece demais. Foi muito duro depois de tudo o que passamos na Série B e neste ano, mas merecemos", comemorou Mano Menezes, que logo em seguida berrou "É campeão!" colado na grade com os torcedores do tobogã.

A conquista foi obtida com tamanha autoridade, que o Corinthians repetiu um feito que não conseguia há mais de 70 anos. Esta foi a quinta vez na história que o time alvinegro venceu o Paulistão de maneira invicta. Todas as outras vezes, no entanto, ocorreram há muito tempo - a última delas foi em 1938.

Antes da partida, a expectativa girava em torno da possibilidade de o Santos conquistar uma virada histórica. Os comandados de Vagner Mancini precisavam triunfar por três gols de diferença e bater uma equipe com média de apenas 0,77 gols sofridos por jogo. Não só isso, como o time da Baixada tinha que superar a massa de torcedores fanáticos e sedentos pelo título corintiano no Pacaembu.

No começo do duelo, o Corinthians se deparou com um Santos ousado e rápido pelas pontas. Ao mesmo tempo, o time anfitrião não ficou recuado, o que deixou o jogo com espaço para ambas as equipes. Mas aos poucos, o clube da Baixada começou a se impor e criar chances claras com boas movimentações de Paulo Henrique e Madson.

Veloz em campo, o Santos se animou com as oportunidades e aumentou a esperança de sua torcida ao balançar a rede aos 27min. Kléber Pereira sofreu pênalti de Felipe e se encarregou da cobrança para marcar em seguida. O gol deixou os ânimos mais exaltados nos dois lados, tanto dos jogadores como dos técnicos, que reclamavam muito com o juiz.

Foi quando o Corinthians, em uma atuação ruim até então, conseguiu empatar. André Santos apareceu de trás como elemento surpresa na esquerda e chutou forte para deixar tudo igual. No fim do primeiro tempo, os visitantes deixaram o gramado reclamando do juiz e da atitude dos rivais, que teriam retardado o jogo de maneira intencional ao pedir a reposição de bolas murchas. "Faltam critérios. Ele [Sálvio Spínola] tem que apitar de uma forma justa", afirmou Vagner Mancini.

Thiago Bernardes/UOL
Taça "pega fogo" e assusta capitão William na entrega da taça do título paulista
LEIA A NOTA COMPLETA
ELIAS TEM FUTURO INDEFINIDO
DENTINHO ALIVIADO COM TAÇA
A etapa final começou com o Santos ofensivo outra vez e com quase 60% de domínio da posse de bola. Entretanto, os anfitriões voltaram do intervalo melhor postados na marcação e seguraram os avanços do adversário.

domingo, 26 de abril de 2009

São Paulo descarta suspeitas de gripe suína por ausência de febre

da Folha Online

O governo de São Paulo afirmou neste domingo, em nota, que as internações realizadas pelo Instituto Emílio Ribas das duas pessoas que foram ao México recentemente e que estão com sintomas de gripe são fruto de "absoluta precaução" e que não há nenhum indício "de circulação do agente causador da gripe suína no Estado".

Enquete: Você tem medo da gripe suína?
Saiba o que o mundo faz para se prevenir
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O primeiro caso é de um homem de 24 anos, morador de Osasco (Grande São Paulo), que retornou de uma viagem ao México no último dia 16 e que, preocupado, procurou o hospital com quadro de tosse e dores no corpo. Conforme o governo, porém, ele não é considerado sequer uma suspeita de gripe suína, já que "ele não apresenta febre".

Para o governo, --que "está consciente e tem bom estado geral"-- o homem pode ter dengue. O diagnóstico será confirmado pelo Instituto Adolfo Lutz, que analisará amostras de sangue e secreção nasal dele.

O segundo caso é de uma mulher que esteve no México e nos Estados Unidos entre os dias 12 e 21 e que procurou a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) no aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, com sintomas de tosse, neste domingo.

"Ela foi encaminhada para o hospital Emílio Ribas para avaliação, e a principal suspeita é de que a paciente tenha sinusite. Como ela não apresenta febre, também não cumpre definição de caso suspeito de gripe suína, conforme os critérios do Ministério da Saúde", informou o governo paulista.

No México, a gripe suína já matou comprovadamente 22 pessoas --outras 65 mortes estão sob suspeita-- e atingiu mais de 1.300. Nos EUA, 20 pessoas têm gripe suína e, no Canadá, seis. Em diversos outros pontos do mundo, há casos de suspeita que aguardam diagnóstico.

domingo, 1 de março de 2009

FOLHA DE SÃO "RASGA A FANTASIA" E SAI NO CARNAVAL, VESTIDA DE "DITABRANDA"

Caroni: As C-14 da Folha da Tarde

Atualizado em 25 de fevereiro de 2009 às 07:30 | Publicado em 24 de fevereiro de 2009 às 19:45

Por Gilson Caroni Filho em 23/2/2009 no Observatório da Imprensa

Faltando três dias para o início do carnaval, a Folha de S. Paulo inverteu o rito de inversão. Tirou a fantasia de "fiscal republicana", longamente confeccionada ao longo dos anos 1980, e partiu para o desfile sem disfarces, disposta a contar suas origens, histórias e personagens.


Com o editorial (ou seria um samba-enredo?) "Limites a Chávez" (17/2/2009), o jornal acompanha o pensamento do ex-publisher Octávio Frias de Oliveira (1912-2007), mostra o inconformismo com a nova institucionalidade latino-americana e reverencia os generais-presidentes da ditadura com quem manteve laços estreitos. Dessa vez, os carnavalescos da Barão de Limeira deixaram claro que o apreço pela democracia tem limites. E eles são bem mais estreitos do que supunham os otimistas.


Ecoando o sentimento da grande imprensa latino-americana, o editorial deplora mais uma vitória do presidente venezuelano em eleições internas e afirma que "o rolo compressor do bonapartismo chavista destruiu mais um pilar do sistema de pesos e contrapesos que caracteriza a democracia. Na Venezuela, os governantes, a começar do presidente da República, estão autorizados a concorrer a quantas reeleições seguidas desejarem.".


É um raciocínio tortuoso esse. É como se, uma vez desenhada a tela institucional das elites, o regime político aceitável só pudesse existir como moldura para uma realidade pretérita. Não é apenas contra Chávez que a Folha se volta, mas contra qualquer possibilidade de incorporações de novos atores sociais à política. Algo fundamental quando o que se objetiva é dar maior densidade à democracia. Reinventar o ordenamento jurídico-político, respeitando os procedimentos constitucionais, é coisa recente na América Latina.


Os termos, bem como as idéias, estão fora do lugar. Empregam-se categorias como caudilhismo, bonapartismo e até mesmo ditador, fora de contexto histórico preciso, sem qualquer rigor conceitual. É o caso de indagarmos se a Venezuela bolivariana não dispõe de um Estado com organização flexível que, assegurando a vontade popular, preserve igualdade de possibilidades e liberdade? Talvez, ali, verifique-se, em plenitude, a idéia do Estado democrático como transformador da realidade. E é precisamente isso que deve ser exorcizado pelos editorialistas de plantão: a concepção de que a democracia implica um Estado fomentador da participação pública.


Os membros do conselho editorial da Folha sabem da inexistência de presos políticos em Caracas. Não têm notícias de perseguição e assassinatos de lideranças da oposição. Não ignoram a presença de uma forte mídia privada que continua defendendo os interesses das elites banidas do poder pelas urnas, mas batem na mesma tecla do "autoritarismo chavista". O que chamam de antidemocrático, no final das contas, é o emprego da ordem legal como instrumento de reestruturação social.


Como parte integrante das classes dominantes, os conglomerados privados na área de comunicação, e seus prestimosos funcionários, não têm qualquer pudor em manejar torneios verbais de ocultamento e prestidigitação da realidade.

Alinhamento com a repressão

Voltemos ao editorial. O trecho em destaque vai além de um canhestro exercício de política comparada. Revela motivações bem mais profundas e significativas. "Mas, se as chamadas `ditabrandas´ - caso do Brasil entre 1964 e 1985 - partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça, o novo autoritarismo latino-americano, inaugurado por Alberto Fujimori no Peru, faz o caminho inverso".


Ao comparar o movimento político liderado por Chávez com a ditadura militar brasileira, a Folha não incorre em equívoco de um "articulista desavisado". Assume editorialmente a defesa dos golpistas de Pindorama. O neologismo "ditabranda" é usado pelos filhos de quem nunca negou apoio ao terrorismo de Estado. Pelo contrário, o empréstimo de peruas C-14 do jornal para transporte de presos mostra total alinhamento dos Frias com centros de torturas e seus comandantes mais conhecidos.


Em 1969, com o lançamento da Operação Bandeirantes (OBAN), antecedente dos DOI-Codi, a estrutura de terror estava praticamente montada. Financiada por setores do grande empresariado, a OBAN tinha a tarefa, definida após anos de discussão, em órgãos como a Escola Superior de Guerra, de centralizar toda a operação repressiva do Estado. Não lhe faltou apoio logístico da Folha da Tarde.


A "ditabranda" teve duas constituições e não respeitou nenhuma delas. O que prevalecia era uma lógica militar que devia obediência aos regulamentos internos de quartéis e aos altos comandantes do regime. Suas "ditabrandas" formas de convencimento incluíam torturas de vários tipos: espancamentos, telefones (tapas simultâneos nos dois ouvidos), corredor polonês (fila dupla de espancadores), pau-de-arara, choque elétrico, afogamentos, entre tantas outras "técnicas".


Em documento publicado pelo Congresso Nacional, conforme registrou a revista Retrato do Brasil, em 1984, havia uma "Relação parcial sobre brasileiros mortos após 64", dando conta de 197 casos até 1979, 147 dos quais só no período Médici, exatamente quando a Folha mais colaborou com o regime. Quantos mortos e torturados foram transportados por suas "ditabrandas" peruas?

Ditadômetro covarde

Como os carros alegóricos já estavam na rua, os leitores que questionaram o editorial conheceram a ira do carnavalesco. O enredo de vilezas não acabou no editorial. A ele sobreveio a ridícula "Nota da Redação" de 19/2, com o "ditadômetro"; seguida da torpe e covarde, porque oculta no anonimato da "Redação", agressão a Maria Victoria Benevides e Fábio Konder Comparato.


Com a ligeireza dos passistas de porões, a Folha se justifica com a mesma explicação dada ao personagem Anna de la Mesa, no magistral filme de Julie Gavras: A culpa é de Fidel. E não se fala mais nisso.


Ver José Serra na presidência foi um sonho não realizado pelo patriarca da família Frias. Seus filhos não poupam esforços para realizá-lo. Seria interessante saber o que pensa de tudo isso o atual governador de São Paulo. Afinal, ele foi presidente da UNE, militou na Ação Popular (AP) e, com o golpe militar, viveu no exílio até 1978. Tido por muitos como um quadro "progressista" do PSDB, deveria tecer alguma consideração sobre a "ditabranda" do jornal que o apóia. No mínimo esclareceria o que vem a ser a "progressividade do tucanato".

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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
laura (27/02/2009 - 13:05)
Eu fui presa na ditadura numa C14 da Folha de São Paulo entre metralhadoras e encapuzada para sofrer torturas na OBAN_DOi-Codi em 1974. Por causa de uma pessoa que nunca tinha visto na vida nem sabia de sua existencia.Assim fui recebida na Universidade de São Paulo como estudante em meus poucos vinte anos. A ditadura matava, prendia e torturava sem pudor e TODO mundo sabia o que era uma C14 e o que faziam: prender. Vc via uma, saia correndo. E sim, diziam que eram da Folha.
Carlos (27/02/2009 - 11:50)
Tem alguns meses que chutei para o alto os telejornais, os jornais e até mesmo a leitura de notícias e blogs pela internet. Meu fígado, meu estômago e minha criatividade agradeceram pela decisão que tomei. Mas é absolutamente impossível passar batido pelo termo "Ditabranda", e eu fiquei sabendo dele por mero acaso. É óbvio que para quem pavimentou a "opinião pública" para que a Redentora desfilasse seu bloco, a dita foi branda. Tanto foi branda que até andaram emprestando veículos para a 'branda passar' durante a repressão. "Estava a toa na vida, O Urutu me chamou, Pra ver a Branda passar, Cantando coisas de Amor". (Uai, aquela não foi a época do "Ame-o ou Deixe-o"?)

Aquela imagem de Wladmir Herzog "suicidado", pendurado com as pernas dobradas me vem à lembrança... Mas isto deve ser pura implicância minha, porque a dita foi branda. É o que soube sobre a opinião da FSP - Folha do Serra Presidente: a dita foi branda...

PS - Quanto dinheiro o "Governo do Estado de São Paulo" torrou em propaganda apenas durante o ano de 2008, quando foi necessário fabricar o Taxabinho? Há algum 'Marcos Valério' nesta história?
Gustavo Mendes (27/02/2009 - 01:43)
Beatriz, acabei de ler seu livro, "Cães e Guarda - Jornalistas e Censores"
Parabéns pelo trabalho (e que trabalho!!).
Simplesmente fantástico!
Recomendo e envio link para quem quiser comprá-lo:
"http://www.americanas.com.br/prod/136350/BookStore?i=1"
Luis Henrique (27/02/2009 - 00:53)
É praxe, por parte dos ideólogos da direita, usar esse 'ditadômetro' para fazer patrulhamento moral de seus adversários, desqualificando-os a priori.
Gilson Caroni Filho (26/02/2009 - 18:54)
Beatriz.
Assim que tiver lido seu lido, enviarei minhas observações.
Um abraço.
Gilson
Beatriz Kushnir (26/02/2009 - 18:36)
Prezado Gilson Caroni Filho,
Polemica a parte, no Castelo de Âmbar, Mino Carta conta uma história "ficcional" e no meio do livro, por cerca de 40 páginas, narra a sua saída do Grupo Abril. Minha tese é de 2001 e a história da Folha da Tarde não era nada conhecida. Entrevistei Mino Carta e ele leu meus originais a pedido de uma editora. Durante o "aniversário" dos 40 anos do Golpe, meu livro saiu. No meu blog (http://caesdeguarda-jornalistasecensores.blogspot.com/) há toda a coletânea de matérias sobre ele. Espero que goste do livro. Aguardo os seus comentários.
Um abraço
Gilson Caroni Filho (26/02/2009 - 09:56)
Cara Beatriz.
Prezo, e muito, direitos autorais. Nesse caso, no entanto, não posso dar os créditos que você pede por um motivo simples: não conhecia seu livro que, para preencher lamentável lacuna, devo adquirir nos próximos dias. É de conhecimento público o apoio da Folha ao regime militar. Mino Carta falou sobre isso diversas vezes, além de ter feito relato minucioso em seu "Castelo de Âmbar". Para escrever o artigo, nos parágrafos que tratam do apoio logístico do jornal à ditadura, além das informações de que já dispunha, recorri a uma entrevista do editor de Carta Capital, reproduzida no blog do Mello
http://74.125.47.132/search?q=cache:ilRkWiM_-tQJ:blogdomello.blogspot.com/2008/02/mino-carta-detona-folha-estado-o-globo.html mino carta folha ditadura&hl=pt-BR&ct=clnk&cd=2&gl=br
Atenciosamente,
Gilson Caroni Filho
Beatriz Kushnir (25/02/2009 - 20:54)
Prezado Sr., Peço por gentileza os créditos a um trabalho que perdurou por 5 anos e 1/2 e me foi financiado com verba pública da Fapesp junto a UNicamp. Trata-se da minha tese de doutoradora que, entre outros tema, historicizou a Folha da Tarde (http://caesdeguarda-jornalistasecensores.blogspot.com/).
Obrigada
Beatriz
Renato Lira (25/02/2009 - 19:11)
Com base no novo dicionário político da folha, os ediorialistas terão um campo fértil para desnvolver seu "raciocínio".

Por exemplo, eles podem afirmar que:

Wladimir Hezog, tão bem tratado nas aconchegantes acomodações do DOI-Codi, estava se divertindo e, por conta de um escorregão ou um desequilíbrio, ficou com o pescoço preso a um "barbante". E, inocentemente, os gentis homens da "ditabranda" não se deram conta a tempo do infeliz "acidente".

Os rapazes gentis da "ditabranda", incompreendidos, não estavam no Riocentro com bomba coisa nenhuma. Era uma bombinha de festa juninia (fora de época, talvez por engano no calendário), que foi levada só para animar a festa. E a "bombinha" estourou antes, e aí notarm que exageraram na dose de pólvora e aí, já viu,né? Mas era só pra animar. Só isso, seus maldosos.

A OBAN era, narealidade, aquela fábrica de velocípedes, bandeirantes, E esses malvados comedores de criancinha inventando essa conversa de repressão.

Não houve pau-de arara, afogamento, telefones, nada disso. No máximo a ditabranda fazia umas cócegas nos pés dos comedores de criancinhas com aquelas peninhas. E o pessoal adorava, pois morria (no sentido "ditabrando") de rir.

E os gentis rapazes da ditabranda usavam coturnos cor-de-rosa. Iguais àqueles usados pelo Tiririca e pelo Tom Cavalcanti.

"O resto é coisa de gente vadia e vagabunda", diriam os bons moços da folhinha.

UIA!

EVOÉ!

Hugo (25/02/2009 - 14:59)

O fato de muitos não querem a reeleição, não é pelo fato democrático, mas sim pelo medo de pessoas permanecerem no poder.

Apesar de não gostar de HUGO CHAVES, acredito que se eleger por mais mandatos é de forma soberana, pois foi feito de forma democrática.

Muita gente não sabe o que é soberania, mas devemos saber que exercitamos isso todos os dias, quando damos nossas palavras, é o que esta decidido está decidido. O que vale para um vale para todos, mas nossa imprensa, que não é burra, tenta tirar proveito em todas as ocasiões, aliás, fica em busca disso todo dia. Uma verdadeira "CONCUBINA", que troca de lado sempre que lhe é vantajoso, sem pensar nos meios que usou.

"CONCUBINA" é a pior das amantes, essas sugam como um parasita até a morte, depois busca novas vitimas, assim o ciclo é destruidor.

Não é aceitavel o modo como a imprensa vem tratando alguns assuntos, porque tentar contra a soberania e a liberdade é tentar contra toda uma nação.

José Eduardo R. de Camargo (25/02/2009 - 13:27)
Infame esse editorial. Para a Folha, democracia boa é democracia sem povo! Parafraseando, "Folha, não dá pra engolir!". E se continuar perdendo assinantes, a Folha virará jornal de bairro, da Av. Paulista e arredores!
nelson lott (25/02/2009 - 10:03)
Informo ao senhor Geraldo Magela que na época da ditadura havia no Brasil mais de trinta organizações de resistência armadas ou não. Abrangiam todo o espectro político da oposição ao regime militar, de comunistas (PCdoB, PCBR, PCB)a católicos (JUC, JOC, AP), passando por brizolistas (MAR), nacionalistas (MNR, MORENA, FLN), frentes e alianças(COLINA, ALN, FALN), sindicalistas, camponeses, etc. Algumas eram comunistas, em algumas outras comunistas predominavam, mas os comunistas tupiniquins pegaram "carona" na resistência popular, não a criaram. Cumpre notar que a resistência ao golpe militar brasileira foi iniciada por militares e sindicalistas. O primeiro resistente morto foi um coronel da FAB que não aceitou entregar o comando do seu quartel aos oficiais amotinados, no RS. Impossibilitados de atribuir a todos a "pecha"de comunista, os torturadores brasileiros criaram a figura do "cripto-comunista". Querem revivê-la para justificar o arbítrio.
A resistência francesa à ocupaçào nazista teve predominância comunista e os partisans italianos eram em sua maioria ligados ao PC italiano. Criaram inclusive "zonas lberadas". Os "maquisards" e os "partigiani" vitoriosos na luta e resistência ao nazi-fascismo não ocuparam "manu militari" o poder, pelo contrário, tornaram-se esteios da democracia francesa e italiana no pós-guerra.
A História não é feita de "se" e a política de "contenção preventiva" acabou com a democracia no Brasil para "acabar com a ameaça comuno-sindicalista".
marcosomag (25/02/2009 - 04:28)
A "Folha de São Paulo" sempre apoiou a linha dura militar. Esteve envolvida com a turma do General Sylvio Frota até às vesperas do Pacote de Abril. Depois, contrataram o Bóris Casoy para Diretor de Redação, com a missão de mudar a péssima imagem do jornal junto à população. Nas passeatas, o povo virava os carros da "Folha de São Paulo".Bóris tirou o nome dos Frias do expediente de todos os jornais da empresa "Folha da Manhã", contratou jornalistas experientes como Alberto Dines e Lourenço Diaféria e a "Folha de São Paulo" apoiou a Campanha das Diretas. Tudo propagandeado através de caríssimas campanhas publicitárias. Tudo jogado no lixo por um único editorial! Quando lí "aquilo" quase não acreditei e pensei:"o tal de Otavinho deve ter ficado louco e esqueceu de tomar o Gardenal!". O que a "Folha de São Paulo" fez com o tal editorial não foi dar um tiro no próprio pé. Foi dar um tiro da calibre 12 contra a própria cabeça!
Nonato Amorim (24/02/2009 - 21:36)
Zé Serra fazer mea culpa por ser apoiado pela Folha Ditabranda rumo a 2010? Isso é delírio, o beijo da morte já foi selado e essa dupla é "sem volta". Serra é um esgoto ambulante, nem sua Sabesp com todo o alardeado know-how (vide propaganda acreana) consegue desinfetá-lo.
DÁ-LHE, GERENTONA DILMA!!!
GERALDO MAGELA (24/02/2009 - 21:19)
Prezados, entendo que não podemos, em hipótese alguma, defender qualquer tipo de ditadura! Seja ela considerada de "esquerda" ou "direita". Se apenas 1 (um) cidadão morrer em conseqüência dessa ditadura é um crime inaceitável. A ditadura de Pinochet e dos generais argentinos realmente mataram mais pessoas! Mas, e daí? Temos como medir o valor da morte de um ser humano? A ditadura brasileira assassinou cerca de 500 brasileiros, cidadãos e "seres humanos". Os chamados "guerrilheiros" assassinaram outros tantos, em escala muito menor. Temos como medir qual foi o maior crime? Vamos lembrar que o mundo, a partir da 2ª guerra, dividiu-se entre capitalistas e comunistas. Era uma guerra não declarada. Era a "Guerra Fria". Você, naquela época, tinha que se posicionar. A favor ou contra os Estados Unidos. A favor ou contra a União Soviética. Não havia uma terceira opção, infelizmente. Os chamados "guerrilheiros" - por convicção política, fanatismo, ingenuidade, burrice, ou outra coisa - queriam instalar, no nosso país, por meio da luta armada, o seu modo de viver e fazer política. É verdade ou mentira? Se estavam certos ou errados não me cabe discutir aqui neste fórum. No meu entendimento, estavam lutando por algo em que acreditavam... ou queriam acreditar.... Todavia, não tenho a menor dúvida que se a luta armada tivesse derrubado os militares não hesitaria em governar como os governos comunistas da época. Seria apenas trocar uma ditadura por outra. Basta ler George Orwell, em "Revolução dos Bichos" ou em inglês "Animal Farm" para entendermos isso. Infelizmente, esse tema é tratado como "tabu" pela esquerda. Mas seria interessante se fazer, agora, uma reflexão sobre essa questão, sem paixões ou revanchismo. Não podemos esquecer que outros brasileiros não optaram pela luta armada e, mesmo assim, foram covardemente perseguidos e assassinados também. Se fosse estudante na década de sessenta, provavelmente teria optado por esse caminho. Com relação à Cuba, gostaria de fazer apenas algumas observações... Eu a considero uma ditadura! Pronto! Portanto, não aceito qualquer argumento que venha a amenizar esse tipo de situação. Reconheço que houve muitos avanços na área dos esportes, saúde e educação a despeito do cruel embargo imposto pelos norte-americanos. Mas pergunto: a que preço? O próprio Che Guevara - personalidade que tenho muitas críticas e observações a fazer, mas tenho que reconhecer que se trata de um mito e, principalmente, de uma pessoa coerente no que fazia - decidiu sair de Cuba ao perceber que tinha se instalado em Cuba uma nova elite que desfrutava das mesmas benesses da anterior . Ele optou em ir atrás de seus sonhos e crenças. Afinal, morreu por conta dessa escolha! Finalmente, acredito que temos como melhorar o nosso país. A eleição de Lula trouxe-nos esperança e já podemos constatar que ocorreram muitos avanços. Estamos longe do ideal. Ainda não vivemos em um estado de direito pleno e ideal. Temo, entretanto, pela próxima eleição. Certamente, se houver o retorno de qualquer candidato do PSDB ou dos Demos o país sofrerá um retrocesso terrível. Mas, como diz o ditado: "a democracia é o pior dos regimes mas não foi inventado ainda nenhum melhor". Observação: políticos como Carlos Lacerda, José Serra e difamadores travestidos de jornalistas como Reinaldo Azevedo começaram a sua militância política em partidos considerados de esquerda e/ou extrema esquerda e se transformaram no pior tipo de reacionário ou militante de extrema direita. Pensem nisso!
Carlão (24/02/2009 - 20:41)
Azenha,
A "dita" foi "branda" só com aqueles que colaboraram com a ditadura. Caso específico da folha colaboracionista, que emprestou as suas peruas C-14, para o transporte às salas de tortura, daqueles que haviam sido aprisionados pelos serviçais da Operação Oban.
Marcos D. (24/02/2009 - 20:28)
Perfeito, esse brilhante texto do Gilson Caroni. É assim que vamos desmontar qualquer discurso ridículo, falso e mentiroso, como o feito pela 'Folha', de que a Ditadura Militar brasileira foi uma 'Ditabranda': com argumentos sólidos e consistentes.





José Maurício Iglésias da Silva (24/02/2009 - 20:27)
(cont) Repudiamos, de forma igualmente firme e contundente, a Nota de redacao, publicada pelo jornal em 20 de fevereiro (p. 3) em resposta as cartas enviadas a Painel do Leitor pelos professores Maria Victoria de Mesquita Benevides e Fabio Konder Comparato. Sem razoes ou argumentos, a Folha de S. Paulo perpetrou ataques ignominiosos, arbitrarios e irresponsaveis a atuacao desses dois combativos academicos e intelectuais brasileiros. Assim, vimos manifestar-lhes nosso irrestrito apoio e solidariedade ante as insolitas criticas pessoais e politicas contidas na infamante nota da direcao editorial do jornal.
Pela luta pertinaz e consequente em defesa dos direitos humanos, Maria Victoria Benevides e Fabio Konder Comparato merecem o reconhecimento e o respeito de todo o povo brasileiro.

José Maurício Iglésias da Silva (24/02/2009 - 20:26)
Corre um abaixo assinado organizado por Antônio Cândido para protestar contra a grosseria cometida pela Folha em relação aos intelectuais Fabio Konder Comparato e Maria Victoria de Mesquita Benevides. Também denuncia o cinismo da folha ao chamar a ditadura de 64 de ditabranda por ter matado menos pessoas que outras ditaduras na América do Sul. Cheguei até o abaixo-assinado através do blog O BISCOITO FINO E A MASSA do Idelber Avelar:

REPUDIO E SOLIDARIEDADE

Ante a viva lembranca da dura e permanente violencia desencadeada pelo regime militar de 1964, os abaixo-assinados manifestam seu mais firme e veemente repudio a arbitraria e inveridica revisao historica contida no editorial da Folha de S. Paulo do dia 17 de fevereiro de 2009. Ao denominar ditabranda o regime politico vigente no Brasil de 1964 a 1985, a direcao editorial do jornal insulta e avilta a memoria dos muitos brasileiros e brasileiras que lutaram pela redemocratizacao do pais. Perseguicoes, prisoes iniquas, torturas, assassinatos, suicidios forjados e execucoes sumarias foram crimes corriqueiramente praticados pela ditadura militar no periodo mais longo e sombrio da historia política brasileira. O estelionato semantico manifesto pelo neologismo ditabranda e, a rigor, uma fraudulenta revisao historica forjada por uma minoria que se beneficiou da suspensao das liberdades e direitos democraticos no pos-1964.