segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

PT diz que Marta quer gerar conflito para justificar saída


A avaliação de integrantes do governo Dilma Rousseff e do PT é que a senadora Marta Suplicy (SP), ao atacar seu próprio partido e fazer críticas a correligionários, busca "criar um fato" para "tentar legitimar sua saída" da sigla.
Para deixar o partido e manter o mandato como senadora, Marta precisará apresentar à Justiça Eleitoral justificativas para a mudança.
Segundo um assessor presidencial, a entrevista "desabafo" da ex-ministra da Cultura foi "imprópria". A principal crítica de petistas foi a exposição de tratativas com o ex-presidente Lula, que teria como objetivo ampliar o desgaste entre ele e Dilma.
A relação entre os dois petistas estaria abalada, uma vez que Lula ficou contrariado com a nova configuração que sua sucessora conferiu à Esplanada dos Ministérios.
Em sua fala ao jornal "O Estado de S. Paulo", Marta disse que "ou o PT muda ou acaba" e centrou fogo no ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) e no presidente do PT, Rui Falcão. Ela classificou Mercadante de "inimigo" de Lula e acusou Rui Falcão de trair o projeto do partido.
Ao acusar o atual presidente do PT de traidor do projeto da legenda e alegar que o PT atual não é o mesmo que ela teria ajudado a criar, a ex-ministra estaria indicando os argumentos que poderá usar na Justiça para justificar sua saída do partido.
Marta revelou ainda lances da tentativa de trocar a então candidata à reeleição Dilma por Lula, citando conversas reservadas com o petista.
A senadora, que também foi ministra de Lula, disse que o ex-presidente reclamava da presidente Dilma, afirmando que ela não o ouvia sobre conselhos para mudar a política econômica do governo.
Para assessores de Dilma e petistas, Marta deveria ter feito este tipo de discussão internamente, mas ela está disposta, segundo eles, a deixar o partido e busca "justificar" sua saída da legenda.
A orientação dentro do governo é "ignorar publicamente" a entrevista da senadora, deixando uma resposta oficial para a direção do PT.
A avaliação de alguns assessores e petistas é que esta resposta não deve "jogar lenha na fogueira", porque isso beneficiaria a senadora. Nas palavras de um petista, a melhor estratégia é não entrar no "joguinho da Marta".
Petistas lembram que a senadora sempre teve espaço dentro do PT. Foi candidata três vezes à Prefeitura de São Paulo e uma a governadora, além de ter sido ministra nos governos de Lula e Dilma. "Ela sempre teve apoio no partido, mas nem tudo pode ser do jeito que ela quer", afirmou um membro do PT.
Um dos principais interlocutores de Lula, o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP) criticou a postura de Marta. Segundo ele, que já defendeu o "Volta, Lula" e foi autor da proposta de terceiro mandato do então presidente, a senadora deveria ter apresentado suas mágoas ao partido.
"É uma discussão séria? Vamos fazer internamente. Eu e outros companheiros sempre fizemos discussão interna. Agora, quem sai atirando tem que lembrar que pode ser alvejado", provocou.
Vice-presidente do PT, o deputado José Guimarães (CE) reforçou o discurso em defesa do debate interno. "O silêncio no momento é a melhor resposta. Ninguém do PT tem o direito de ser instrumento de manipulação de quem quer que seja".
Aliados de Marta negam que o pano de fundo de suas queixas seja a intenção de disputar a Prefeitura de São Paulo em 2016, mas admitem que a senadora tem negociado possível migração e uma eventual candidatura com o PMDB, PDT e até com o oposicionista Solidariedade.


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